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CURSO DE FRESADORES
RESISTE A REVOLUÇÕES E REFORMAS


        O curso de Fresadores já tem uma história de 25 anos. Apesar dalguns acidentes de percurso, resiste. Antes do virar do milénio, terão passado por ele 140 alunos. Não são muitos. Mas todos têm provado que nele se formam bons profissionais e, sobretudo, que ali se aprende a vida.


        No conjunto recuperado e ampliado da ESEACD só um edifício destoa - o velho pavilhão dos Fresadores.

        Com 25 anos de vida, mantém o seu aspecto de instalação provisória, apesar dos esforços para o conservar com dignidade.

        Lá dentro, o espaço encontra-se impecavelmente organizado. A oficina, limpa, conserva as velhas máquinas de há mais de duas décadas. Numa sala teórica bem equipada, 11 alunos debruçam-se sobre os estiradores, sob a orientação tranquila do Eng.º José Freitas. Nenhuma euforia, nenhum sobressalto. Ali é um local de trabalho e a concentração é total. Vive-se e trabalha-se como numa empresa.

        Vinte cinco anos a dar provas já merece reconhecimento. Além disso, na indústria de moldes, toda a tecnologia se revolucionou nas duas últimas décadas. E tempo também de reinstalar e adaptar o Curso de Fresadores às novas tecnologias.

        Foi com este propósito que os professores actualmente responsáveis pelo curso, engenheiros José Freitas e João Cegonho, decidiram integrar o projecto de adaptação do curso no Pacto Territorial para o Emprego da Marinha Grande.

        Na proposta de candidatura apresentada em sessão pública em 13 de Março de 1998, explicita­se que a «Reinstalação e adaptação do Curso de Fresadores às novas tecnologias contempla basicamente a construção de um novo pavilhão para o curso e respectivas estruturas de apoio, orçada em 20 mil contos e a aquisição de novos equipa­mentos, orçada em 25 mil contos»

        No presente ano lectivo, 11 alunos frequentam o Curso de Fresadores. Vêm de todo o concelho e de aldeias das redondezas, todos com a expectativa de fazer um curso profissional e arranjar emprego. Apesar de muitos serem alunos marcados pelo insucesso escolar, o sonho não acaba aqui. Querem arranjar um emprego, sim; mas também continuar a estudar à noite e prosseguir para a Universidade. E o caso do Nelson Crespo, que abandonou os estudos já no 11º ano de Desporto e decidiu tirar o Curso de Fresadores. Confirmam o que nos foi dito pelo Engº José Freitas: a melhor publicidade do curso são os alunos que por ele passam». Eles estão por aí: operários especializados em prestigiadas empresas, engenheiros ou mesmo empresários. 130 alunos diplomados, todos a construir um futuro que começou no Pavilhão dos Fresadores.

        E tempo de reinstalar e adaptar o Curso de Fresadores às novas tecnologias.

        O Curso dos Fresadores pode ser essencialmente a oportunidade de concretizar objectivos a curto prazo; mas é também um ano em que a vida se aprende e a vontade de ir mais longe renasce.


Aprender fazendo. O trabalho oficinal domina o currículo do curso.


Equipamento. Desafios tecnológicos exigem modernização da oficina.

Para este envolvimento com o curso e com a ideia de que a «escola vale a pena» - o Curso de Fresadores «está integrado na escola» como faz questão de frisar o Eng.º Freitas, - muito contribui a perfeita articulação entre o curso e as empresas, que se concretiza através de um estágio de 6 meses, e também o facto de a responsabilidade pedagógica ser repartida apenas por dois professores. É aliás esta a opinião dos alunos, pois, como nos disse o Marco Pedroso, «passar um ano só com dois professores aprende-se muito mais e ganhamos mais respeito».

        Esta dimensão pedagógica consta no Regulamento do Curso. Assim, desde 1975, passaram pelos Fresadores apenas 4 professores: Mestre Godinho e os engenheiros João Cegonho, João Cruz, e José Freitas.

        A história do Curso de Fresadores confirma o reconhecimento da sua qualidade, quer por parte dos industriais de moldes quer pelos Ministérios que o têm tutelado.

        ...o Curso de Fresadores tem resistido a todas as revoluções, reformas e contra-reformas.

        Criado em 1973 a pedido da Indústria de Moldes, o Curso de Formação Profissional para a Indústria de moldes Metálicos - Especialidade em Fresagem, vulgo Curso de Fresadores, tem resistido a todas as revoluções, reformas e contra-reformas.

        Funcionou como experiência-piloto durante entre 1973 e 1975. As perturbações dos anos da revolução de Abril e as dificuldades atravessadas pela indústria de moldes, levaram à suspensão do curso após 1975. Extinto o ensino técnico, parecia não haver nas escolas espaço para os Fresadores. Mas em 1980, novamente a pedido dos industriais, o Curso foi reactivado, funcionando ininterruptamente até 1990.

        Os actuais responsáveis do Curso, engenheiros José Freitas e João Cegonho consideram que «ele foi, de certa forma um modelo inspirador dos cursos profissionais ressurgidos em 1983». A procura cresceu exponencialmente no início dos anos 80, chegando a haver, num ano, 200 candidatos para 11 vagas.

        Resistiu, por vontade expressa de todos os signatários do protocolo que o recriou em 1980, - Ministério da Educação, Ministério do Trabalho, Fundo de Fomento de Exportação, Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e Metalomecânicas do distrito de Leiria e 13 empresas de moldes - à última Reforma do Sistema Educativo, que extinguiu o ensino profissional nas escolas secundárias.

        O grande risco da sua extinção ocorreu no virar da década, por falta de alunos, que entretanto foram optando por outras ofertas de formação com apoio dos fundos comunitários. Encerrado no ano lectivo 1990/91, reabriu em 1992 novamente com o apoio dalgumas empresas signatárias do protocolo, que se comprometeram a criar um bolsa de estudo para os alunos, de forma a garantir igualdade de incentivos com outros cursos de formação profissional.

        A procura recomeçou então a crescer, melhorando bastante nos últimos 3 anos.

        Para além da competência profissional na área da fresagem, os alunos que têm passado pelo Curso são testemunho de que «o conjunto de saberes nele aprendidos são ferramentas intelectuais que permitem um pleno desenvolvimento do profissional, que estará em embrião à saída do curso».

        Como reforça o documento apresentado na sessão pública da candidatura ao Pacto Territorial para o Emprego, no Curso de Fresadores «ensina-se fundamentalmente a aprender o que se perfila como uma opção correcta em termos de futuro, já que cada vez mais o homem tem de aprender ao longo de toda a vida».

COMTEXTOS - Abril 1999